quinta-feira, março 12, 2015

O INVERNO - Cheiras bem. Cheiras tão bem.



Sabes disso porque continuas a precisar de uma mulher-a-dias.
Porque há gente louca por todo o lado a agir tão normalmente, que é de doentio.
Porque há espiões psicóticos em negação.
Porque não há rasgo que te atormente. Porque não tens medo. Porque já estás por tudo.

Deixo-me colidir.

Deslizo para dentro dos meus lençóis novos.
Ah... Viva o luxo.
Nada é pequeno demais a esta hora da noite. Não há memória que me possa angustiar, nem decisão futura que me apoquente.

Até desconfio do que escrevo e à cautela, faço a minha pausa para me certificar que nada explodiu. Que ninguém gritou. Que tudo continua tão calmo como antes.

Uma noite lenta.
Finalmente...
Merecida.
Acarinhada com uma nova saudade.
O teu cheiro.
Cheiras bem. Cheiras tão bem.

Sabes disso porque nada mais desejas.
Porque estás quase absoluto.
Porque só usas "quase" por falsa modéstia.
Porque te divertes com isso.

Deixo-me eclodir.

Resvalo brandamente para dentro do mim.
Que viva o júbilo.
Tudo me aquece sem me afoguear. Tudo me sustêm sem me cobrar. Tudo me aparece... É só fechar os olhos.

Uma noite lenta para triunfar.
Absolutamente...
Merecida.
Abençoada pelo acaso da multidão e pelo teu cheiro.

Cheiras bem. Cheiras tão bem.


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