quinta-feira, maio 15, 2014

O Diário - I - Um futuro e uns dentes.

Tenho de escrever um diário.
A única maneira de conseguir ir escrevendo recreativamente passa por voltar à formula adolescente.
São coisas dos tempos. A velocidade da vida e merdas afins. Basicamente, tenho tudo e mais alguma coisa para fazer.

Aqui está ele.
Espero que não seja secreto, nem ficarei à espera que os nazis me venham buscar, sequer será tão interessante como as páginas de uma adolescente na plenitude da puberdade, mas andará lá perto.

E... que fique bem assente... E "como manda a lei", não terá fim.
Um dia chegarão a este blog e estará outra coisa qualquer, provavelmente bem mais absurda que a minha própria vida.

Mas existem coisas que simplesmente não conseguimos inventar.

Na passada 3ª feira tive de comparecer de urgência no consultório de um dentista.
Um tipo novo, português, da calça de ganga, bem disposto e comunicativo, que me explicou que já devia ter extraído os dentes do siso há muito. Aparentemente, tenho uma boca demasiado pequena para tantos dentes.
(Eu sei que "dentes" é um tema super interessante mas isto tem um seguimento.)
Acontece que os meus, fazem uma pressão tal uns nos outros, que vão rachando a estrutura do dente até o partir.
Assim se sucedeu com um pobre pré-molar.

(Aqui é que a questão se torna realmente interessante)
Segundo o sitio Wikipédia, "este é um tipo de dente de mastigação, devido a sua parte oclusal. Possuem forma de pentágono, são menores que o canino, tem as suas bordas convergentes, as arestas mesial e distal são semelhantes. O 1º pré-molar é maior que o 2º pré-molar."
Ora como eu sou um gajo muito pouco mariquinhas e nunca tenho dores em lado nenhum, foi preciso sofrer durante mais de 24 horas e nascer um quisto debaixo do filho-da-puta do dente para o ir tratar.
Conclusão:
Agora tenho de gastar uma pipa de massa na merda de um implante, para não parecer que trabalho nos "carros de choque".

Foi a 1ª vez que um dentista não brasileiro me arrancou um dente e devo dizer que o rapaz, foi bruto.
Aquilo doeu.
Aquilo foi à macho.

1º porque como eu sou um gajo muito valente e consequentemente, extraordinariamente imbecil. Informei o Dr. que não era preciso "abusar na anestesia". Só para ele saber quem era este menino.
(Para a próxima quero produto do bom. E muito. "Bué mesmo".)
Depois porque existe uma diferença de idades relativamente curta entre os dois e a minha exuberância capilar, de uma forma involuntária, acentuava a sua "pré-calvície".
(Não me acusem de presunção, eu sou mesmo excelente a ler micro expressões.)
Para finalizar, o próprio confessou inveja em relação à minha dentição, que apesar de lesionada, é melhor que a dele.
O dente veio bem, mas na parte do quisto - que ainda por cima tinha o formato de uma pêra e um nome estranhíssimo, uma coisa mesmo à profissional dos quistos - eu vi a luz.

A tamanha dor, fez-me suspirar para o lado um sentido... "foda-se"!

Uma palmada nas costas, um "bacalhau", um sorriso cúmplice, uma receita, dois sacos de gelo, e 50 "balas".

Toma vai buscar!
"Se aparecesses aqui mais vezes, nada disto acontecia".
Excepto a parte das "balas" é claro.

Pior têm sido os dias de recobro.
Ora estou com uma "pedra cavalistica", ora estou cheio de dores.
(Eu sei que "cavalistica" é palavra que não existe e alguns putos que lêem o blog não chegam lá, mas perguntem aos vossos país. Muitos deles sabem mais e melhor de "equitação", que eu.)
Aqui me encontro.
De baixa.
Dormente.

É quase impossível ver a cor dos meus olhos.
O meu sofrimento tem sido atenuado por um "kit pedrada", composto por antibiótico, analgésico, anti-inflamatório, uma garrafa de aguardente, e um ansiolítico, só por causa dos nervos.  

Excusado será dizer que ando manso como um cordeirinho... nível presépio. Estou incapaz de reagir -seja lá a que for - ou mesmo atingir o orgasmo.
Daqui só "pó Patriarche".
(Perguntem aos vossos pais.)

Que retirar desta minha experiência?
(Sim porque isto um gajo chega a uma fase onde retira conhecimentos de experiências e vice-versa.)

Não andam criancinhas aos gritos pela rua, "O meu sonho é ser dentista." Também nunca conheci ninguém no liceu com os olhos brilhantes, teorizando sobre Medicina Dentária (Odontologia no Brasil). "Adorava ser dentista", ou "O sistema Estomatognático é fascinante", "Salvaremos o mundo dente a dente".
Muito honestamente, dificilmente conseguiremos inspirar as massas através da desvitalização de um dente, ou pelo estudo da mandíbula, mas há piores maneiras de ganhar a vida.
(E ganha-se bem rapaziada... olha olha... Eles não são nada parvos.)
Alem disso podes receitar "cenas" e és medico - o que deixa sempre uma mãe feliz.
Atenção, és medico num nível socialmente desprestigiado - por aqueles toleirões da neurocirurgia - mas protegido quanto à tragédia humana.
Tens de ser muito tanso para matares alguém numa cadeira de dentista.


Eu próprio penso que perdi uma carreira interessante. Uma profissão à minha medida.
Bem.
Estou sempre a tempo.

Vejo sangue, sei de drogas, tenho "um guito" e ainda posso confrontar o paciente - que já por si se encontra numa posição física e mentalmente inferior - sem grande peso na consciência.
Basta por-lhe aquela mini radiografia à frente dos olhos e explicar, "Vês a merda que dá não apareceres aqui de vez em quando. Agora olha. Pagas mais!"

Por outras palavras é claro.

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