segunda-feira, janeiro 06, 2014

A importância das miúdas giras

O problema dá-se quando acordo...

De repente tudo mudou.
Abro os olhos num quarto escuro, cheio e perfumado.
Do lado de fora, as horas já passaram pela manhã e a chuva não pára de embalar o cinzento.
Acordo ainda sem certeza.
- Há cor a mais. Só posso estar a sonhar.
Suspiro e espreguiço. Bocejo até o resto expulsar.
- Só posso estar a sonhar.
Olho para o lado para confirmar que estou sozinho.
E volto a olhar.
Ficou só a magia.
O meu corpo estendido e quente, cresce a cada reflexo. Vai largando a moleza lentamente. Todos os músculos estão doridos, mas nada me doí.
Faço tudo o mais devagar possível. Em câmara lenta. Tudo para não perder o saborosa paz que me adoça por dentro.
Misteriosamente o problema já não se dá.
Ali fico de olho aberto a olhando o tudo e a sentir-me a pessoa mais feliz do mundo.

Pum.
A porta do quarto abre para um sorriso canino, cheio de alegria. Arfando com felicidade.
- O meu dono está acordado.
Ali fica trocando olhares, respeitosamente sentado à porta do quarto, com a meiguice que me faz sorrir.
- Bom dia!
Tuc tuc tuc, responde-me ele com o rabo.
O que ele me quer dizer é:
- Bom dia malandro. Isto é que são horas? Agora veste-te, faz-me uma festa e vai-me abrir a porta que eu quero ir à rua.
Bocejo mais uma vez, e faço subir o estore.
Ainda é inverno.
- Aguenta-te. Contenta-te com o verão que tens dentro de ti.
Visto um pijama largo, incrivelmente confortável - estou mais magro - e com os mais preguiçosos passos, faço a vontade ao príncipe.
Ele agradece-me com uma lambidela na mão.
Volto para o quarto para me aconchegar com um robe macio que recebi no Natal.
Prenda da avó.
- Eu nem gosto de robes mas este é especial.
Olho para o telemóvel, mas nem quero saber.
Que se lixem as horas, as mensagens e as chamadas não atendidas.
Olho para os comprimidos e para o maço de cigarros, mas não quero nada daquilo.
Que se dane a psicossomática e a ansiedade.
Estou bem demais.
Basta chegar ao espelho da casa de banho para comprova-lo.
Tenho no peito a vaidade que só uma mulher linda me pode oferecer.
- Ou então sonhei.
Que interessa?

É altura de engonhar ao máximo.
Aproveitar. Contemplar. Usufruir. Apreciar.
Que daqui a bocado tenho de voltar para o resto do Mundo.
Deixo-me pairar.
Saboreando a leveza da felicidade e a sorte dos audazes.

Tenho música dentro de mim e um ano novo para festejar.

Tenho tanto, mas tanto.
Tanto...
E tão bom.

Acho que continuarei a fazer listas.
Só para não me desorientar. Para continuar este meu desassossego não alinhado.
O meu amor leu-me o horóscopo para 2014 e eu tenho que me por a pau.
Vai ser um ano muito cheio.
Intenso.
Tem de o ser!

São milhões de afectos para trocar. Camiões cheios de infinitas quantidades de risos e miminhos.
Mil horas de estúdio a soar.
Outras mil como taberneiro de blazer.
Dezenas de canções novas para fazer vibrar.
As linhas correntes à velocidade de um novo tom.
E a dedicação a tudo o que me calhou de bom.

Esta é a importância das miúdas giras.
É uma questão de espelho.

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