Pudim do Velho

Da minha janela nada vejo.
Está escuro como sempre e desta vez chove sem dó.
Não ouço as antigas.
Não sei das velhas, que nunca puderam ser novas.
Imagino-as de volta dos fritos adocicados que enfeitarão a consoada.
Cismo nas suas memórias, e nas histórias que recordam enquanto cuidam do fogo.
Recordo as minhas velhas, cheio de saudades!
Os episódios que me contavam.
Palavras que me entraram na imaginação, de tantas noites como esta.

Sei que para lá do portão há um caminho para a cidade.
Natais de outros anos.
Coisas de quando era pequenino e carradas de prendas.
Como podia eu brincar com aquilo tudo sozinho?

Hoje aqui aguardo.
Num balanço sem descanso, de um ano, que já nem vejo da minha janela.
No final de uma torrente... Corrente que perde força.
Depois de um enorme ano,
Compulsivo, descritivo e doente.
O ano mais comprido da minha vida.

Aceito a incompreensão.
Já nem pazes há para fazer.
E assim que acabar a escrita,
Nem pensarei no que acabei de aprender.

Tenho sorte.
Sou sempre salvo pelo futuro.
Mas o resto nunca me abandona...
E por mais sofisticado que seja,
Acho estranho um Natal sem um pudim "do Velho".

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