segunda-feira, outubro 14, 2013

Porno Amor e Xungaria - 7

A fuga.

Quando eu faço uma pergunta a alguém, apenas procuro duas reacções: A verdade, ou o silêncio.

- A autenticidade por estar em extinção.
É como uma espécie em risco. Uma busca filosófica. A relação entre a causa e o efeito, no seu sentido mais profundo.
Isto tem tanto de bruto como de abstracto. O Mundo mente por sistema. Reconhecer o que é verdadeiro é, por si só, um desafio tremendo.
Além disso nada nos faz crescer mais que realidade.
(E crescer dói.)
Parece-me que esta demanda é cada vez menos apreciada. A exactidão é coisa que incomoda.
(Matemáticas.)
Para a maioria, é preferível copiar formulas, a criar novas maneiras de resolver os problemas.
Já para não falar que está fora de moda. É desinteressante. Ninguém dá importância a isso.
- Se podemos mentir a nós mesmos tão facilmente, porque não fazê-lo a outros?
O custo beneficio da verdade é demasiado baixo e adjectivar compromete.

Todavia eu gosto de aprender.
(Sempre gostei.)
Por mais bruta e cruciante que ela seja, conforta-me senti-la.
Exige coragem.
Reclama para quem a diz, ou para quem a ouve, dignidade e respeito.
São mariquices de quem tem vergonha na cara. De quem precisa de dormir à noite descansado. De quem ainda acredita "nas pessoas".
Valores.


Quando faço uma pergunta a alguém, e do outro lado nada ouço, existe algo dentro de mim que me empurra para um confronto.
- Fiz-te um pergunta!
As excepções à regra passam pelas simples trocas de opiniões, onde a retórica é moeda de troca. Estes momentos mudos têm valor quando num debate alguém não consegue argumentar mais, melhor, ou simplesmente reconheceu e se identificou com a tese do "adversário".
Tomar em consideração uma opinião divergente ou antagónica à nossa, é um acto de grande inteligência e humildade.
São precisos dois para dançar o Tango.

Eu sou crente mas não sou ingénuo.
Muito raramente existe a mesma atitude entre os interlocutores.
É extremamente difícil encontramos "um jogo" limpo e nivelado.
Toda a gente sabe o que é a "má fé". Sente-se. E é nesse contexto que surge o cotejo.
(A batalha. A luta. A briga - O que lhe quiserem chamar.)
- Ouviste o que te disse? Fiz-te uma pergunta!
- ...

Apesar de saber que existem outras soluções para ultrapassar o mal estar, ainda não sou capaz de me preservar. Reactivo como sou, não consigo dosear a situação. De respirar.
Passo-me.
Sinto-me ofendido. Mal tratado. Desprezado.
Não é justo ignorar.
Não é nobre. Não é coisa de gente de bem. É o oposto. É próprio de índole mal formada.
Falta de caracter.
Falta de educação.
Esta violência chega-me à alma como a das maior das desonras.

Lamento, mas sou incapaz de respeitar quem a mim não me respeita.
Não o tolero. Não admito.
Mesmo sabendo que o pior de mim virá ao de cima, e que facilmente perderei a razão, não consigo fingir estupidez.
(Consigo sê-lo... e muitas vezes... mas fingir não.)

- Mas se já sabes que és assim, e que reges de uma maneira que no final te faz sofrer, porque é que não cagas nisso? - perguntam vocês.
- Cada pessoa com a sua bandeira! - Respondo teimosamente orgulhoso.

Morte à Xungaria






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