domingo, outubro 13, 2013

Porno Amor e Xungaria - 6

O Santuário

Não pode chover mais.
A iluminação publica faz o alcatrão brilhar.
As águas irrequietas apontam-me o caminho de tua casa.
Até lá é sempre a descer.
A cada passo que dou em tua direcção, tudo fica mais escuro.
Tudo se torna incerto.
Como se fosse para um fundo de um poço vazio e frio, onda a única luz que me pode acompanhar é a ponta de um cigarro aceso.
(Respiro fundo para me compor.)

A cada passo que dou em tua direcção, o peito aperta com mais força.
Algo me diz para voltar atrás. Para evitar aquele entrar naquele nevoeiro à minha frente.
Mas não consigo deixar de andar.
Numa angustiada compulsão, irrequieta e obscurecida.
Na ideia infantil que para alem da névoa húmida, estarás à porta de casa, acolhendo-me serenamente.
(E vejo esse o teu rosto sentido. Resignado. Compadecido pelo meu esforço.)
Na ilusão de perceberes finalmente o que é a verdade. O que é o Amor.
Fantasiando com o teu abraço, longo e apertado. Num beijo torto cheio de lagrimas e soluços.
Respiramos fundo para nos recompor. Partilhando um olhar de alma a alma, enquanto as mãos afastam os cabelos que temos na cara.
Em silêncio e sem camuflagem.
Num momento que nos cure de toda a mágoa.
Um milagre.
Um momento mágico onde tudo passa.
Onde as roupas desaparecem com pressa. Encostados até nos colarmos. Encaixados perfeitamente. Sentido sem limites, no teu Santuário dourado e livre.
Fervendo infinitamente até adormecermos exaustos e plenos.
(A nossa maneira de estarmos em paz. De aquietarmos as nossas guerras interiores. Talvez a única.)

Talvez?

Mesmo que a descrença me tolhe a mente, já estou dentro do nevoeiro.
Ninguém aqui me vê e daqui nada vejo.
E "Talvez" para mim é pouco. Sempre foi.
Resta-me orientar e atravessa-lo até chegar à tua porta cheio de esperança.
Eu sei que ela não se abrirá.
Eu sei sei que não me esperas.
Eu sei que não me queres lá.
Tudo sei, e mais que possas sequer imaginar.

Quando chegar à tua porta sentir-te-ei. E isso basta.
(Terei de passar por muito mais que a merda de um nevoeiro para te deixar de sentir.)

E quando subo. Ao regresso respirado. Renovado por triunfar uma batalha mais, começando a ver a luz novamente, em força e sem escorregar.
Penso para os meus botões!
- Foram muitas noites. Tantas mesmo que acabaram por ser poucas para preservar tão magnifico Santuário.




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