sexta-feira, julho 05, 2013

Pastorinhos

Actualidade 2013.0

Eu tenho de controlar melhor os meus impulsos.
Comecei a escrever sobre actualidades, Portugal e todas as suas merecidas tristezas. Frases ao desamor, destes longos e penosos fados que durante séculos fomos construindo. Um delírio absurdamente sonante sobre a violenta estupidez que nos guia o âmago existencialista, enquanto povo. 
Gritos afagados por excessos de frustração. 
A revolta de partilhar bandeira com tantos imbecis, com tanta gente estúpida, mesquinha, reles. A dor de conviver com tantos desprezíveis símbolos da mais pura tacanhez. 
Fúria.
Nojo.
Raiva.
Pelos fugitivos, pelos votantes, pelos não pensantes, e pelas putas das mães.
Pela falta de liberdade.
Pela mitologia dos Viriatos , dos esclavagistas, e outros estadistas. 
Da merda da gloriosa história lusitana - que não nos serve para nada - a não ser encher páginas de livros que ninguém lê - porque não sabem, porque não querem ou porque são simplesmente do contra.
Pelos que estão a ler, e já estão contra.
Primeiro pelo provincianismo e pela paneleirice do ministro.
Pelas birras.
Pelos que comentam. Pelos que repetem e pelos que escrevem sempre sobre o que toda a gente escreve.
Portugal merce. 
Pardieiro de dichotes manhosos, adivinhas sem jeito e graçolas parvas, embaladas em vulgares trocadilhos. 
Pastorinhos.
Isto será sempre um penico cheio de merdas falantes com os olhos no céu à procura da virgem.
Aqui ninguém é casto.
Ninguém.
São gravatas a prestações e patrióticas bandeiras feitas na China.
São arruaceiros bêbados à procura de rameiras baratas na véspera do casamento.
São pedaços soberania vendidos ao desbarato para um estrangeiro qualquer.
Pastorinhos.
Portugal merece.
Merece isto tudo e mais.
Merece que lhe cuspam na cara. 
Outra vez. 
E outra.
E Portugal vota, mas não conta.
Pastorinhos de merda.
E nas próximas eleições não se esqueçam de encarreirar. Não se esqueçam de ir, de comparecer e de continuar tamanha obra. A missão democrática que é enriquecer alguém que se aproveita e fomenta a nossa ignorância. O direito e dever de ser representado por um bandalho qualquer, a vulso, sortido, desconhecido.
Pastorinhos.
Gostam mais de entulho que beijos de mãe.
Eu que tenho de controlar melhor os meus impulsos - sob risco de nada ser mais do que sou hoje - orfão de povo, orfão de estado, apenas não renuncio à minha condição de português porque desejo sê-lo plenamente.

E começo já por ser do contra.

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