segunda-feira, maio 13, 2013

O verdadeiro canibalismo

Estou a tentar imaginar uma cura.

Ando sempre a tentar curar-me. Como um drogado nos anos 90.
Uma cura.
Uma formula mágica que resolva todos os meus males.

Temo que não exista comprimido certo ou sábia mezinha que me fortaleça o espirito. Que me dê uma saúde de ferro - ou de outro material mais capaz.
Temo que não haja fim para o verbo temer e que passe o resto da vida devendo à coragem.
Maleitas contrafeitas em globalizações made in china, designed in the u.s.a.
Merdas doidas.
Canibais.
Esta é a verdadeira maneira de nos comermos uns aos outros. Acompanhamos o ingrediente principal com medo.

Há madrugadas assim.
Horas fugidas onde deito tudo fora.
Para conseguir dormir.
Para descansar do mundo e das pessoas. Das miudezas do destino. Das certezas e do desatino.

Estou cansado de me fazer valente.
Resistir é tarefa, dever e missão. Não é vocação.
Resisto porque tem de ser. Para ser o mais livre possível. Para dar sentido à palavra liberdade. Para passar o testemunho aos vindouros. Amaldiçoados. Encadeados pela lucidez.
É pior que olhar para o sol.  
Uma vez li que não existem ateus nas trincheiras.
Deitado na minha, resisto para não obedecer. Para não crer. Já me enganaram tanta vez que acreditar amedronta. Continuaremos a bordar a maior capa de cinismo da história. De um lado a dúvida total. Do outro a ingenuidade da ignorancia.
Repouso.
Depois de respirar fundo, conto as armas. Faço a chamada aos meus talentos.
Ainda penso, ainda sinto, ainda tenho força para mais um conflito.
Limpo as baionetas tingidas por sangue seco - Especializei-me em abater os canibais à distancia. Nunca se deve subestimar a estupidez - à minha volta tudo me acompanha estratégicamente. Pronto. A segundos de contacto.
E adormecerei nisto.

Merdas de gente doida.

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