Uma Aventura (Parte II - Cabecinhas pensadoras)

Sempre me disseram que não devemos misturar o autor e a obra, mas é habitual fazer-se o contrario.
Aconteceu com todos os grandes autores da lingua portuguesa.
Ora não podia analizar toda a magnitude da colecção Uma Aventura sem conhecer um pouco melhor a vidas de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada.

Um dos grandes méritos da dupla passa pela sua incrível capacidade de trabalho.
Num país onde a baixa taxa de produtividade é um problema estrutural,  as mulheres escreveram largas dezenas de títulos (em diferentes colecções e géneros literarios) tendo ainda arranjado tempo para casar duas vezes, ter filhos, dar aulas e desempenhar funções publicas ao mais alto nível.

Passando ao de leve pelas mais mundanas curiosidades devo destacar:

- Ana Maria Magalhães nasceu em Lisboa a 14 de Abril de 1946.
Docente de lingua portuguesa, é irmã do ilustre Tozé Martinho. É caso para dizer que o charme e talento para a escrita correm nas veias como um cavalo selvagem.
Já é avó, teve três filhos, tendo casado duas vezes, a ultima das quais com Zeferino Coelho (director da Editorial Caminho).
Huuuuuuummmmmm...
Não encontrei uma unica fotografia sua sem óculos.

- Isabel Alçada nasceu a 26 de Maio de 1950, no bairro onde nasci: Alvalade.
De primeiro nome Maria, a lisboeta que cursou Filosofia, teve um percurso académico assinalável chegando inclusive a ser ministra da Educação do XVIII Governo Constitucional.
Sucedeu a Maria de Lurdes Rodrigues (também ela adepta do uso de laca no cabelo) dando aso às conhecidas suspeitas sobre a influencia lobística da industria cosmética, nos governos de José Socrates.
Dotada de uma figura invejável, Isabel Alçada chama para si todas as atenções masculinas. A sua rectidão dorsal e o seu sorriso cativante não passam despercebidos.
Casada com Emílio Rui Vilar, Maria Isabel faz parte do mais famoso casal de ex-ministros socialistas.

E o que nos dizem os seus percursos pessoais e profissionais destas senhoras sobre os livros de Uma Aventura?
Nada.
Absolutamente nada.

Existe outra situação.
A obra é que nos expõe o âmago do autor.
Dos autores.
É facil compreender a mente das escritoras num livro de Uma Aventura.
Daí o seu perigo.
Daí o desassossego que tenho dentro de mim.
É alarmante.
Diria mesmo mais.
Estará o sucesso desta colecção directamente relacionado com a crise de valores que tem afectado os jovens portugueses sistematicamente?
Poderá ser a causa o efeito? E vice versa?

É nesta estranha simbiose que acontece magia.
O que aproximou estas pessoas?
- Alem do gosto pela laca.
O que terá nascido entre aquelas duas mulheres, no primeiro dia do aulas, a Outubro do 1976, na sala de professores da Escola Básica Fernando Pessoa em Lisboa?
Além do obvio.
Além de uma longa e rentável parceria.
Que danos terão causado estas senhoras, aos milhares de leitores de Uma Aventura?

A questão é séria.
Não digo que as professoras escrevam os livros enquanto dançaram nuas ao luar, em volta de uma fogueira, num transe criativo primitivo, baseado numa explosiva relação lesbiana.
E mesmo que o fizessem?
Qual era o mal?
Decerto que ninguém achará ilegítimo imaginar Isabel Alçada (agora Vilar) nua numa cadeira de verga, qual Emanuelle, escrevendo languidamente as aventuras que apaixonaram gerações.
Erotismo não é crime.
Não vou falar do valor artistico das obras, a qualidade da escrita, ou originalidade.
Escrevo sim, sobre o valor pedagógico dos livros - dirão os mais distraídos - cheios de referencias geográficas e históricas pertinentes para o publico alvo da colecção.

Porque não temos a mesma atenção moralista sobre os livros de Uma Aventura, que temos sobre os brinquedos de teor bélico, as mensagens das bandas de metal satânicas, ou a violencia nos espaços audiovisuais?

Algum adulto já leu um livro de Uma Aventura?
Um qualquer?

(continua)

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Dinosaur Love by Harry Baker

O que é ser rude?

A Dieta - 1 - Abotoar é um verbo sério