Miúdas Religiosas e Radicais Livres


Os cadernos ficam com pó.
É assim que me apercebo.
Os cadernos ficam com pó e as listas sucedem-se em agendas cheias de compromissos.
Esperanças.
Futuros.
Oxalá.
Os livros ficam com pó e só consigo pensar em limpa-los. Em vez de lhes pegar.
Em vez de os voltar a ler.
É duro.
É uma dispendiosa luta contra a maldição.
Trata-se de resistir estoicamente à amargura.
Uma guerra contra o envelhecimento.
Salve-se o espirito!  

Existe um conjunto de sinais impossível de ignorar.
De um momento para o outro dou por mim a fazer uma data de coisas chatas.
Tenho compromissos aos Domingos. Acordo sempre antes da uma da tarde. Abraço os deveres domésticos com devoção. Faço exercício fisico regularmente. 
Depois do duche espalho pelo corpo em movimentos circulares,  uma dispendiosa loção hidratante anticelulitica e reafirmante.
Na embalagem lê-se: Hidragem 5 com centenha asiática e vitamina A.
- Este é o momento onde os verdadeiros heterossexuais deixam de ler esta prosa disfarçada -
Ora este creme protege a minha pele contra os "Radicais Livres".
E aqui a coisa se complica. Faz-me espécie.
Eu gosto de "Radicais Livres". Eu próprio sou um "Radical Livre". Sempre fui.
Fará sentido proteger-me de mim próprio?
Estarei assim tão crescido?

Talvez o mundo tenha perdido alguma liberdade?

Não sei.
Prefiro passear com banda sonora que enjaular-me filosoficamente.
Especialmente quando atravessamos o periodo onde as desigualdades intelectuais são fracturantes.
Noutra altura.

E este é o mal de ser preguiçoso!
Começo a pensar no conveniente em demasia.

Começo a conviver com miúdas religiosas.

Sei que "desse lado" esboçam sorrisos.
Toda a gente sabe que são as mais doidas.
E é verdade. Existe uma ligação estranha entre o lado mais animal da sexualidade com os aspectos organizativos da espiritualidade, vulgarmente chamados de religião.
É inexplicável.
As gajas adoram fardas, gajos de saia, e malta enrolada em panos no geral.
Sempre sem roupa interior.
E seitas?
Aquelas seitas maradas, suicido-psycho-killer onde o lider engravida toda a gente apocalipticamente.
As mulheres adoram.
Adoram papar a ostia, converter-se a uma merda qualquer, educar as crias para serem salvas, tudo para se afastarem da realidade.
Sei que "desse lado" voltam a esboçar sorrisos.

O que é realmente divertido é sair com uma miúda religiosa!
Quando saímos com uma "regular", ela aparece divertida e toda gira. Cheia de charme e brilho. Energia e sorrisos. No caso da "santinha" ela surge com aquele ar de ex-escuteira pseudo-decente. É sempre muito calma e cordial. Toda ela foi planeada para estar arranjadinha.
"Não foderemos artisticamente. Aqui o verbo é procriar!"
São sempre indecisas em relação a tudo e nunca tomam a iniciativa porque isso "é coisa de homem".
Se estivermos numa de exotismos temos de ter muito cuidado a escolher os locais, menus e até o modus operandi da coisa.
"Eu casava contigo mas já sou a fêmea nº 3 do filho do meio, do próspero e honorável dono da loja de detergentes"
Tragam sempre na lembrança que uns são mais tolerantes que outros e que ainda existem povos barbaros.
Em qualquer caso o processo de "ajuntamento" ficará facilitado. Basta encarnar a personagem de "demónio tentador".
Ela fala de Deus eu falo-lhe de pecado.

O grande contra é que apenas são divertidas na cama.
Estrondosas! Absolutas! Doidonas!
O antes e o depois é um martirio. Um penitente e aborrecido calvário.

Algumas nem dão para embebedar.

Nota: A minha próxima acção directa será invadir uma missa todo nú apenas com a inscrição "Radical Livre".
Embriagado se possível.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Dinosaur Love by Harry Baker

O que é ser rude?

A Dieta - 1 - Abotoar é um verbo sério