sexta-feira, agosto 19, 2011

3 porquitchonas e uma praia sem areia

Este verão tem sido ridículo.

Todos os Verões são
Ridículos.
Não seriam Verões se não fossem
Ridículos.


Realmente ridículo. Houve apenas um real dia de verão com noite a condizer. Calhou a uma quinta feira, aproveitada para uma ida à praia com membros da máfia.
Mafiosamente chegamos. Mafiosamente nos instalamos com estilo.
Estava bastante gente e a praia pareceu-nos mais pequena. Com menos areia.
Seguramente com menos areia.

Já se começava a cuidar das nossas praias.

De repente juntam-se à nossa vizinhança duas porquitchonas. Daquelas meio tortas. Das que passam tempo a mais dobradas. Das que se despem com o olhar no horizonte, em camera lenta.
- Hummm - pensei - Já não vão para novas. A pele está comida pelo sol e pelo tabaco. Rugas no canto da boca. Cabelos pintados. Certamente já foram de muitas cores diferentes.
Tipo politico português.
Com alguma dificuldade plantam o chapéu de sol e algo falta.
- Olha desculpa - Diz a loura. E continua - Boa tarde. Nós vamos só ali ao café e voltamos já. Levamos as coisas de valor, mas é só para ir dando uma vista de olhos...
- Sim. Claro. Ok. - respondemos mafiosamente.
- Obrigado - agradece a loura.
Sorriso porquitchona? - Penso admirado.
Ah pois.
Sorriso porquitchonazona.

E o que é o sorriso porquitchona? Perguntam os velhos, as velhas, as miúdas e os gays?
Como resumir.
É quando o sorriso fala maliciosamente.
Calma. É toda uma linguagem corporal. Um tom de voz, um olhar, uma posição, um tique, um suspiro.
É muito mais que um mero sorriso.
Ninguém excita ninguém com dentes... ou com a falta deles... bem adiante...
É quando uma miúda na primeira abordagem deixa implícito, que nos "dava uma trinca". Em vários lados.
Enfim.

A máfia é experiente e funciona telepaticamente.

Minutos passados, chega uma terceira porquitchona. Telemóvel ao ouvido, óculos de sol de classe - os melhores que estavam na loja dos chineses - e cabelo demasiado preto para ser natural.

A máfia é experiente e funciona telepaticamente. Mas a máfia desta vez partilha: Cabelo ou muito preto ou muito louro atesta um nível elevado de vaquedo.
(Cuidado com as pinturas. Ninguém está em guerra e as cabeleireiras geralmente tem dificuldades com as cores. É da luz dos salões.)

Beijinhos e falsas amigas depois, o gang está completo.

A máfia sorri.

Estava a tentar descortinar quem seria mais branco que eu naquela praia quando começou o strip.
Que Trio fantástico. Uma loura, uma de cabelo preto e uma ruiva. Tudo falso.
E eu sou espectacularmente branco. De barba e cabelo comprido. Como diz a minha avó Alice "pareces mesmo Jesus Cristo".
Se eles descobrem a verdadeira cor de Jesus começa a terceira guerra mundial.
Mas é quase impossível...
Tal e qual como adivinhar a cor original do cabelo das porquitchonas.
Que Trio fantástico.
Tudo falso.
O strip decorre lentamente.
A loura é a líder e o elemento aglomerador. A "chefa". Tem mais estilo, maior sorriso, e sempre foi mais popular que as colegas. Tem aquele bronze dourado que fica bem nos flash das maquinas das gajas. Ela é baixa, magra e larga de anca. Tem uma barriguinha, mas nada que a comprometa no dia-a-dia social. É o peso da idade e os copos das noites loucas. Shots a arder! Dou-lhe 34 anos. O bikini é reduzido e jovem. A parte de cima é preta e tem folhos para fazer as mamas maiores. Equilibrar é o conceito. A parte de baixo é pequena. Ricas pretas e brancas. O rabo tem tendência a achatar.
Fuma e sorri com frequência. Dinamiza a conversa até se fartar do aborrecimento que a sua amiga ruiva tem estampado no rosto e deixa o sol fazer o seu trabalho.

A ruiva chegou com a loura. É a menos sorridente das três. Parece ser a que tem mais dinheiro e parece ser a mais velha. Tem muitas rugas na cara. É a mais alta e a mais magra. Não tem mamas nem cu, nem curva nenhuma que faça perder o olhar. É a que está mais queimada. É a que tem menos cabelo e menos alegria. O bikini é vermelho e transparente. A ruiva não tem pelos na coisinha!
Nota-se daqui.
A ruiva fuma muito e escreve muitas mensagens até o namorado surfista chegar.
É daqueles surfistas a caminho dos 40. Dos que têm mamas e têm sempre aquele bronze do xixi. Tatuagens à fajunto. Deve ter um cd de sublime cheio de pó, mas agora é mais electro. Longboard claro. Um barco para a morsa. Uns óculos caros cor de laranja. À puto do "ya e das cenas tipo fora, tas a ver"? Nota-se que eles não estão bem. Pouca troca de olhares e poucas palavras. Ele também está ocupado em conversas com a loura e com a do cabelo preto.

A máfia não entende o surf e não aprecia gente que faz xixi quando está dentro de agua.

A do cabelo preto tem um bikini rosa que parece roupa interior e é a mais branquinha. Tem umas mamas mas não tem mais nada. De porquitchona, e alem da cor do cabelo, mais dois atestados: tatuagem no fundo das costas e tatuagem tribal no pé.
(Golo. O publico rejubila. Os mafiosos estão sorridentes com tanto estereotipo junto. Para a loucura ser total só falta a rapariga conduzir um Seat.)
Parece ser trabalhadora. Daquelas miúdas da província que tentar organizar a sua vida. Independente. A mais nova das 3. A que está a usufruir mais da praia e a única que trouxe um livro. Daqueles grandes e cheios de páginas sobre o nada, escritos por ninguém. Nota-se que ela anda de volta dele há algum tempo e que tem algumas dificuldades em ler. Usa o indicador para se guiar e murmura as palavras enquanto lê.
Mas pobre livro. Só durou até o namorado da ruiva dar atenção à leitora.

A máfia adverte: Ler faz bem.

A ruiva não se importou. Continuou a exibir o seu monte de Vénus volumoso e rapado. Pneu de pista.
As restantes dividiam a atenção entre a praia, as conversas do surfista mamalhudo e a máfia. Com a sua atitude porquitchona.

Elas queriam porquitchonar, mas tivemos e abandonar a causa. Uma questão de bom gosto.
Numa praia sem areia, onde todos dão banho à prancha e empurram os banhistas para dois metros de praia, parecendo que não, aborrece.
Isso e pessoal a brincar com raquetes e sem rede. Sem rede qual é o objectivo? Qual é o propósito? Desculpem-me mas é estúpido.

Só de pensar nestas coisas dá-me logo vontade de voltar à praia.

A máfia saúda: Um beijinho a todas as porquitchonas! Antes vocês que os surfistas mijados.

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