Assim sou como um monge

Assim sou como um monge. Continuo em clausura.
Longe dos pecados, num ermo e húmido sitio.
Pedra molhada, ajeitada por verdes, beijada pela chuva, cortada pelo vento.
Assim sou como um monge.
Mas dos que usam roupa interior.

Assim sou como a paciência, lenta e respirada.
Sem casos de policia.
Sem crimes de pele.
Sou uma parte espiritual de mim, outra de ti e outra de todos.
Pobre e comedido.
Deambulo pelo vale à procura de respostas, fugindo a pé.
Ficando de pé,
Mas sempre de roupa interior.

Tem de ser.

Um monge sem roupa interior é uma bomba relógio.
É um padre num baptizado.
Algo ferve naquela figura.
É uma adolescente num concerto.
É a namorada do outro que é tão pura como as outras mas pior que as demais.
Algo ferve dentro das veias.
Há algo que se controla. Há algo que se defende. Sempre com roupa interior.

Depende da alma.

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