A semana das trovoadas

Não há frio em semana de tempestade.
Todos os dias há trovoada. Há barulho e electricidade e mais barulho.
Há o que tem de haver.
Há sol calor, chuva parva depois.
Há ambição e sonho do meio do caruncho esfomeado. Que raio de coisa o caruncho.
Que um gelado não acompanhe depois.
Basta assumir as olheiras, ficar refém dos ecrãs e fazer pausas de duas em duas horas.
De duas em duas horas.
Até às televendas. Até babar almofadas. Até desesperar ao pensar na dificuldade que será arrastar o corpo do sofá para a cama.
Não há frio. Esse foi embora. Deixou-me de calções.
Não há noite ventosa que corta o osso e deixa a pele dura.
Não há peito retesado nem mãos nos bolsos. Esqueçam as poses encolhidas.
Relâmpagos furtivos. Divinos e poderosos.
Assustam-me
Encolho-me sempre. Como se fosse possível desviar-me de uma bala.
Como um super-herói.
Daqueles que adoro ler nos quadradinhos.
Eles que fazem tudo o que o nosso cérebro desejou fazer.
Serve ficar em pijama, agarrado à cor, com a poderosa luz da mesa de cabeceira.
Desviando os olhos do flash do relâmpago.
Evitando contar os segundos.
Do inicio do concerto.
Do barulho que ecoa brusco.
Até parar.
Deixo-me adormecer e ser um super-herói.

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