quinta-feira, fevereiro 10, 2011

As pilas dos outros

Ontem à tarde desliguei a razão por segundos. Quando dei por mim estava a ver televisão.
Mau impulso. Perigoso impulso. Destruidor.
Um momento de loucura?
Nunca saberei.
Sei apenas que uma apresentadora envelhecida, questionava cautelosamente um especialista.
Quais eram os objectos de estudo do homem?
Disfunção eréctil e ejaculação precoce.
O senhor doutor explicava que estas "situações" afectam uma percentagem elevada dos homens em Portugal. Não tenho os números e as percentagens presentes mas sei que fiquei impressionado com dimensão dos dados expostos.
Atenção.
Se bem entendi, a disfunção eréctil, ou impotência está associada ao avançar da idade, à hipertensão, às doenças cardíacas, a patologias como a diabetes, ou ao stress. Simplificando. Uma doença que é resultado, de uma série de coisas que afectam o português comum.
O problema da ejaculação precoce é um pouco diferente.
Na televisão e para meu deleite juntava-se à conversa o Júlio Machado Vaz.
(Eu imagino as mulheres que foram seduzidas por aquele malandro.)
Desde miúdo que o ouço na radio e o vejo na televisão. Certamente que não era o dia em que o iria ignorar. E mais. Adoro comparar as minhas teorias com as dos especialistas
Ora segundo os especialistas a ejaculação precoce afecta pessoas mais jovens, e, o problema da coisa passa essencialmente pela parte psicológica.
(AH AH. O busílis)
Segundo Júlio Machado Vaz, os homens de hoje sofrem enormes pressões sociais e culturais. Actualmente, e para muita gente, sexo é performance. Se a competência em termos de desempenho sexual, não for satisfatória, podem surgir elementos de grande frustração. Muitos jovens sentem-se diminuídos ou incapazes. Deprimidos. E tudo isto "apenas" porque o papel sexual da mulher, sofreu uma enorme mutação nos últimos 40 anos.
(Aqui é que ela impeça)
Tendo as mulheres um papel mais activo - tanto nas relações como a nível sexual - alguma coisa teve de mudar na cama dos portugueses.
Note-se ainda que o passado erótico de cada mulher aumentou. Hoje em dia as jovens acumulam mais experiências sexuais que as suas mães e que as suas avós - salvo raras excepções é claro, eu bem sei que elas não eram santas - e essa matemática pesa no homem português comum. Esta pressão e esta competição é a grande causa dos imponentes números que a estatística da ejaculação precoce em Portugal apresenta.
Mais. Eu conheço bem o meu vizinho - e afirmo que vizinho não está no sentido literal, mas como o meu par, a minha gente, os costumes e defeitos do meu povo - sei muito bem que está muita boa gente fora desta estatística.

3 pontos:

1 - "Passado erótico" é uma expressão deliciosa. Fantástica.
Diz ele:
- Querida. Como foi o teu passado erótico?
Responde ela:
- Como assim?
- Quantas vezes é que... coiso.
- Hum?
- Quantos parceiros tiveste?
- Parceiros?
- Sim. Sexualmente? Quantos parceiros tiveste?
- Hum... Não sei. Deixa ver. Mas mesmo para coiso?
- Sim, sim. Quantos é que tu... Tu sabes.
- Deixa ver... Uns 211?
Diz ele boquiaberto
- 211? Tens a certeza?
- Sim. Mas calma. Desses 211, 53 foram apenas orais e outros 27 lá atrás. Os restantes tiveram direito aos três pratos.
(O autor deste texto desaconselha qualquer tentativa de questionar o passado sexual das parceiras dos leitores. Há coisas que mais vale ignorar. Alem disso elas não vos vão contar "toda a verdade". Podem crer. Não tentem isto em casa)
Mas imaginemos outro caso:
- Então a irmã do Pedro é doidona? Atiradiça é ela. Pinta de vaquedo a gaja.
- Digamos que têm um passado erótico vasto e um futuro erótico em expansão... ou emergente.

2- A ejaculação precoce está a condicionar a vida sexual de uma geração inteira.
Confesso que à medida que fui conhecendo a realidade sexual das pessoas "à minha volta", sempre apontei o dedo à ligeireza com que se abordava o tema.
- Ontem aguentei-me dois minutos.
- Oh meu, caga nisso. Acontece.
Admito ainda que conheço um significativo número de homens, perfeitamente saudáveis, que sofrem regularmente de ejaculação precoce. (Estejam descansados que não vou dizer nomes)
"A tua virilidade têm a duração de um foguete". "Anda meio mundo a ejacular precocemente outro meio". (Se eu vir t-shirts com estas frases vou cobrar os meus direitos de autor)

3 - Conclusões:
- Ainda tenho a capacidade de destingir a diferença entre o comum, e o normal.
- Se aparecer um pessoal mais velho a dizer que estes jovens machos de hoje, cheios de penteados, de Erasmus e de cursos desnecessários, são, inseguros, mal-formados, frustrados, incompetentes, incapazes, negligentes, cobardes, desleixados e complexados, não se admirem. "Nem para cobrir prestam!". O que é triste é que mesmo com este problema, a maioria das pessoas não procura solução ou ajuda.
- Uma amigo meu de longa data tem toda a razão quando afirma... e passo a citar "Fode-se pouco e mal. Fala-se muito, mas foder que é bom, tá quieto".
- Que este estado de coisas explica muito sobre os comportamentos dos jovens adultos. Basta relacionar. (Isto dava outra tese, muito extensa para dissertar sobre isto agora).
- Que quando se pensa nas pilas dos outros é normal que a tua não funcione devidamente.

Sejam homenzinhos. Ganhem "machesa".

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