A minha música é melhor que a tua - Os melhores 5 albuns de 2010

Sempre quis fazer isto.
Sempre gostei de falar de música com os meus amigos de um modo apaixonado. Fico sempre com inveja quando leio revistas e jornais com este tipo de listas. "Só a mim é que ninguém me paga para escrever parvoíces sobre música."

Assim, cá vai a minha lista com os 5 melhores álbuns lançados em 2010.

Nº1 - Against Me! - White Crosses

Org punk Royalty


O fenomenal algum da banda da Florida chegou ao mundo a 4 de Junho do corrente ano.
Logo na primeira audição um pessoa fica com a sensação que tropeçou numa obra-prima. - Os Against Me!? - Sim.
White Crosses, é um álbum para toda a gente. Mesmo para o pessoal que veste cores e que não é viciado em org Punk. 50 minutos, cheio de canções boas, melodias únicas e uma simplicidade desarmante. 14 faixas onde quem a banda brilha como nunca.
Esta exagero nasceu do casamento feliz entre o talentoso songwriting de Tom Gabel (vocalista e guitarrista da banda) e a visão de um dos maiores produtores mundiais, Butch Vig. Este senhor é baterista de Garbage e conta no seu currículo de produtor, álbuns como o Nevermind - Nirvana, tendo trabalhado com Smashing Pumpkins, Sonic Youth, Garbage, AFI, Jimmy Eat World, Green Day, Foo Fighters, Muse, entre outros... até estou cansado... Resumindo. Se existe alguém consegue por barulho a soar a música, é ele! O homem já vendeu milhões largos de discos.
Em termos sonoros, o disco é perfeito. Bem captado, bem misturado e bem masterizado. As linguagens e sonoridades utilizadas, servirão de referencia a centenas de outros álbuns. Serão copiadas exaustivamente. Não tenham dúvidas.
Tudo soa - e usando um termo técnico- de caralho.
Cada faixa têm um ambiente próprio e uma direcção artística competente. Cada distorção, cada som limpo, cada efeito, cada flame, cada frase.
Tudo é elegante, cirúrgico, perfeito ou imperfeito quando tem de ser.
A malta das manifestações anti-globalização ficou doida. "Venderam-se". Mais uma vaga de fãs ofendidos, encheu redes sociais, fóruns e coisas burguesas tipo essas, protestando com o "excesso de qualidade" que o disco apresenta.
- Há gente estúpida? Claro que sim.
O que é real é que o lado politico e intervencionista continua vigoroso nas letras de Tom Gabel. Aliás o conteúdo está mais diversificado e forte que nunca. Os temas estão muito bem alicerçados e comunicam directamente com o ouvinte. Junte-se a isto tudo, melodias directas bem fáceis de memorizar, feitas para o publico cantar, atitude e uma pitada de humor.
Se soubessem as horas que eu já passei a falar deste disco. É uma doença.
Se me descuido escrevo um livro sobre o White crosses.
Ai está.
Servido e pronto a comer.
O melhor álbum de 2010... para mim.



Nº 2 - The Flatliners - Cavalcade

Do Canadá para o Mundo



Rapaziada e raparigada. Isto é só para os puros-sangue. Se não gostas de
Flatliners não pertence à punk rock elite.
Cavalcade é um delírio. Pura alma.
A banda canadiana cresce e marca território sem pedir licença. Amadurece ideias, conceitos e define a sua sonoridade. Os putos maravilha da Fat Wreck Chords, atacam sem medos.
Grandes canções, grande intensidade, grandes momentos.
Esta cavalgada limpa a cabeça e deixa de queixo caído muita velhada instalada. "Saúdam e mais nada!"
O disco é lindo. Dá vontade de variar e lembra-nos tudo o que é bom no punkrock.
As vozes, as guitarras, os andamentos, os truques. Está lá o nervo todo.
Se não experimentaram. Têm de o fazer.
De referir ainda que Steve Rizun - o produtor deste álbum - fez um excelente trabalho. O disco foi gravado entre duas tours, com uma agenda apertada e muitos temas para gravar.
Uma das misturas/masterizações mais interessantes que tenho ouvido. A "cor" do som é bastante orgânica e muito bem equilibrada. Foi possível criar dinâmicas muito eficazes e interessantes mesmo nas musicas mais "à carga".



Nº 3 - A Day To Remember - What Separates Me From You

Eles vendem mais mp3s que os Beetles


Os putos rebentam com tudo.
A primeira vez que passei no myspace deles achei o nome parvo e presunçoso. O que é certo que anos depois ainda me lembro desse momento.
A Day To Remember
é uma banda que joga sempre para ganhar. De todas as bandas da nova geração é a que melhor compreende os novos públicos. Os kids ficam doidos com a banda da Florida.
Atitude, trabalho, carisma, humor, imaginação, coragem, espírito de conquista, imagem, ambição e originalidade. São estas as qualidades que fazem de ADTR uma banda vencedora.
Tudo isto pode ser encontrado no novo álbum.
What Separates Me From You foi lançado em Novembro ultimo. Este trabalho precisava de se desmarcar do famigerado Homesick e catapultar a banda para outra divisão. Assim foi.
Como no álbum anterior reuniram a trupe. NA equipa que ganha não se mexe: Andrew Wade, Chad Gilbert (NFG) e o ex-guitarrista Tom Denney. Um trio divertido que sabe o que faz.
Menos peso e mais pop-punk... muito mais poppy. Todavia a gritaria ainda lá está, e bem extrema, a envergonhar os "coleguinhas" dos Metalcore e Hardcore. Quando é para berrar é parar ser a sério. O pessoal da biqueirada pode estar descansado, mas este álbum é docinho. Melódico e a puxar para o sentimento.
ADTR apruma a formula e faz um álbum grandioso, pronto para chocar de frente com as plateias. As melodias compostas e ricas entram corpo dentro. Directamente. Sem pedir licença a preconceitos ou idades. Os refrões são para toda a gente cantar.
As baterias impressionantes. Os riffs batem todos no peito e há ali vozes a perder de vista. Para impressionar. Para causar impacto. Para triunfar.
À primeira audição vão achar o álbum curto. Com o tempo vão perceber que ele tem essa duração, porque vai ser ouvido muitas vezes. Imensas vezes. O disco vicia.
A banda exibe dinamismo invejável. Aproveita tudo o que tem e o que não tem. Tudo é potenciando-os ao máximo.
Devia haver mais bandas assim.
Vale bem a pena saber What Separates Me From You.



4 - Four Year Strong - The Enemy of the World

Enemy of the World "is a pop-punk juggernaut"



Quando saiu o disco This Will Be the Death of Us, dos Set Your Goals, Scott Heisel - critico da Alternative Press - escreveu na sua review, "It Must Really Suck To Be Four Year Strong Right Now".
Esta frase deu origem ao primeiro tema de Enemy of the world e logo ai vê-se que o quinteto de Worcester, Massachusetts, vem com a intenção de mostrar que têm um espaço só deles. Adivinhem... eles conseguiram.
O disco é excelente. Ao ouvi-lo ficamos com a sensação de estarmos num espectacular concerto da banda. Energia para dar e vender. É esta a especialidade dos FYS: o publico. Tudo é pensado e montado para que o ouvinte faça parte da banda. Para que se identifique com as letras. Para que grite, para que cante, para que se divirta genuinamente.
Não existe nada clássico. Ao escutar com atenção nota-se uma infinidade de influências. Percebe-se que os rapazes têm a escola toda, mas não cedem à tentação de por um segundo para a velha guarda. Não há nada "à antiga".
- Talvez na ultima malha... só para os mais nervosos...
Eu gosto muito deste tipo de bandas que explora tudo vorazmente. Sem medo de ficar sem truques para a próxima, de gastar o trunfo nas primeiras jogadas. Eles estão ai para jogar forte e apostar alto.
O som é energético, orelhudo e bem pop. Conseguem explorar muito bem as duas vozes principais, usando contra-cantos e harmonias a gosto. As dinâmicas são sortidas e bem embaladas por uma bateria bem batida. O rapaz é brutinho. De realçar ainda o trabalho das guitarras. Muito bem imaginadas e executadas, os FYS criam jogos de guitarras muito interessantes, usando muitas distorções diferentes.
Na mistura nota-se pouco baixo. Problema vulgar nas bandas que usam um som mais massudo. Está tudo muito presente (bateria, guitarras, teclas e vozes) menos o baixo. Mesmo assim e longe de ser original as tonalidades do som de Enemy of the World estão bastante engraçadas.
Ainda desconfiados? Isto não é para puristas. Se gostam de problemas sociais à la Rise Against, sermões de Bad Religion e se ainda dizem a baboseira que os Pennywise são uma grande banda porque há milhares de anos que fazem a mesma canção, palpita-me que não vão gostar. Isto não é tabaco para as virgens ofendidas, e é preciso ter sentido de humor. Pior. Se fores daqueles chatos que gosta de t-shirts pretas de Madball esquece. Vais ficar nervoso.
Quando ao resto do pessoal...
Four Year Strong? Podem levar... como se diria nas antigas mercearias: É à confiança.



Nº5 - Alkaline Trio - This Addiction

O trio dos refrões venenosos



É o 7º disco do genial trio. Não há muito para explicar. É Alkaline Trio. É lindo. É tudo lindo. A capa é linda, o som está lindo e continuo a vibrar com eles.
Excelentes canções, excelente songwriting, dois grandes vocalistas.
Quem não conhece devia conhecer. Quem conhece e não liga, devia ligar e quem não gosta, pode ir acariciar o rabo de um babuíno com cio.
Simples. Tal e qual como a banda que continua a espalhar magia.



Aqui fica o meu top 5, quanto a álbuns de 2010.
Obrigado por lerem e descubram mais destas bandas.

P.S - Para o ano sai o novo de Bayside... Já tenho um álbum para o top 5 de 2011

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Dinosaur Love by Harry Baker

O que é ser rude?

A Dieta - 1 - Abotoar é um verbo sério