sábado, novembro 13, 2010

O meu tédio é pior que o teu

Isto é como tudo.
Acordas usas peúgas com chinelos, pensas no que vais fazer para o almoço, procuras um casaco porque está frio. Está frio e está feio. Na boca tens um sabor esquisito. Procuras comprimidos. Procuras a casa de banho e sentas-te. Como uma rapariga. Sentas-te porque tens sono e passaste a noite com dores de dentes. E tu não sabes porquê. Feijão frade e atum. Ovos não que já comeste ontem.
Farmácia, estúdio, banho e jantar de anos com amigos... Muitos mesmo. Na farmácia lembra-te de procurar um genérico como dizem na televisão. Coisas do governo.
Acendes a televisão para te irritares e voltam as dores. Volta a vontade, volta o aborrecimento.
A rapariga da farmácia sorri muito. É simpática e agradável. Desconfias sempre de pessoas simpáticas. Tu não és simpático. És arrogante e tens mau fundo. És amargo e amaldiçoado por um cínico já morto. Nada a fazer.
Volta a vontade, volta o aborrecimento.
É Sábado. Mas porque será que os Sábados te incomodam tanto. É trauma. Os Sábados são de toda a gente, mas o trauma é só teu. Foste traído. Sempre ao Sábado.
É Sábado porque deve ser! És rápido a sair da farmácia e deixas a rapariga simpática triste. Ela achou-te giro, meteu-se contigo e tu foste uma besta.
É tempo de telefones. Voltas a ligar porque está interrompido e deixas mensagem porque estás esaurido. Pensas positivamente. Obrigas-te.
Obrigas-te a mais um Sábado.
Puxas um cigarro que não deves fumar, fechas por um casaco que não te vai ajudar.
E num instante, vês de relance. A alma que ninguém quer perder. Que coisa ruim, que face penada. Um olhar mortiço que atormenta qualquer ser.
Quando comparas... Quando te sentes... Algo em ti dispara e em segundos ficas contente.
Há sempre pior... Sempre!

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