A crise dos pinguins

Direito, Economias, Gestão, sempre tive facilidade neste tipo de ciências de pinguins. Só por teimosia e má fé é que estas coisas têm funcionado mal.
Ganancia e mau carácter, vá.
É próprio de gente mal formada.
Magotes de professores e os senhores doutores enchem os nossos ecrãs com concelhos e pareceres sobre a catástrofe que se abateu sobre o sistema financeiro ocidental - fatalmente é claro... ninguém lucrou com isto tudo - Os telejornais e especiais de informação parecem o BBC vida selvagem. Ali está a colónia... Todos a fazerem sons estranhos e desesperados para acasalarem com uma pinguinha toda muito bem posta.
Só que os olhos não mentem. Quando cruzo olhar com a fêmea sei de que raça é ela. É dada. É secreta. É bandida.
Ao lado e ao fundo vem alguma coisa para cá, muito lentamente e num andar esquisito. Tenho dificuldade em ver quem é porque sou míope.
- Ah é o teu par. Está na hora de me retirar. - gracejo com um sorriso.
- Eu já te digo coisas. - Responde a pinguinha insinuante.
Tem óculos. Mas esta gente tem toda óculos e fatos foleiros porquê?
Um pinguim mais velho agarra-me pelo braço e de um modo carinhoso diz-me qua ainda estou a tempo de ir trabalhar com ele.
- Sempre tiveste muita facilidade para estas coisas rapaz.
Eu que até já nem sou assim tão rapaz.
Tento explicar que o talento não me faz feliz. Muitas vezes acontece o contrário. Tenho de enfrentar outras barreiras para me sentir pessoa.
Ele insiste e tenta-me comprar com dinheiro. Com conforto. Com seguros de saúde e pinguinhas interesseiras.
- Eu sei que gostas do que é bom - insistiu.
E eu sei que não fui feito para tratar bichos e reeducar criancinhas da província e emergentes afins. Não é para mim. Mas agradecia que dessem dinheiro à mesma.
Invistam na arte. Pelo menos parece bem.
Mas cá ninguém liga a isso. O que parece bem é ter um carro grande e prateado. O mecenato é residual e apenas para os filhos e sobrinhos mais chegados que têm a amabilidade de lhes fazer companhia ao Domingo. Na missa ou nos momentos mais embaraçantes no Golf.
- Continua a fingir que sabe jogar Golf? - pergunto brincando.
- Tu sabes que prefiro ver o Benfica no sofá. É um desporto mais ao meu jeito. Tem ido ao estádio? Precisa de bilhetes?
Eu recuso pedindo desculpa enquanto uma jovem pinguim nos interrompe com uma emergência social.
Doutor. Aqui ninguém é medico.
A sala é branca e ampla. Muito iluminada. Os pinguins serpenteiam entre esculturas feitas pelos alunos de belas artes. São umas merdas sem jeito, carregadas de um intelectualismo muito triste, que amarga a vida. Tudo aquilo sabe mal.
Levo a mão ao bolso.
Sms da Pinguinha: "Parque de estacionamento, -1, bmw azul clarinho com a capota em beije."
Uau. As novas executivas são tão doidas.

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