Se as gramaste, algumas fizestes

Não há nada como arrancar em direcção ao frio. Tudo sem acordo ortográfico ou preocupação.
"A Puta que te pariu. A culpa disto tudo é da puta que te pariu!"
Os gritos não me distraem. Estou de rastos. Passei horas a organizar computadores e doenças vindouras. Apagar, excluir, tenho amachucado furiosamente tudo o que é lixo digital. Ficheiros, pastas, imagens, documentos, as merdas todas.
Ao fundo ouve-se uma chapada e um grito. Deixo cair o cigarro com desprezo e aposto com os meus botões. Hoje não há apoio à vitima nem violência doméstica. Hoje é o meu dia de ignorar sofrimento alheio. A minha consciência reza para que ele não a mate. Que passe de hoje.
Amanhã terei de voltar ao computador e envelhecer deselegantemente.
Amanhã é dia de deambular entre dores de costas e raios de sol de Outono.
Merda para isto. Cada vez é mais complicado fazer bem.
Fazer para quem? Falta imaginação e inteligência. Não há nada a fazer.
Outro grito e nem uma luz se acende.
Ao longe o que está longe.
Um gato preto evita testemunhar.
Ela não pára de chorar. Rouca e derrotada.
Habituada.
Anos passados e é sempre o mesmo crime, o mesmo castigo. Será que nunca vão aprender?

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