A critica construtiva

Existem muitos culpados no estado da música em Portugal.
É estrutural e sistémico.
Começamos pela falta de cultura musical. Somos um povo demasiado sereno. Até para mexer o cérebro. Alem disso e segundo os famosos subsídios, nem todos os tipos de música são dignos. Quanto à formação, toda ela é uma palhaçada. Completamente desactualizada. Os instrumentos são caros, existem poucos sítios para tocar, os públicos são inexistentes ou residuais, não existem verdadeiros produtores, ninguém conseguiu fazer uma masterização decente, as editoras só estragam e as rádios rebentam com o resto.
Estou treinado a discutir estes temas. Não me vou dispersar por aqui. Tenho apenas que vincar que o principal culpado deste imbróglio é o produto.
Ou seja, o que os artistas e as bandas têm para vender às pessoas.
(Ora eu não vou generalizar porque seria injusto para muita gente. O cenário é confuso e promete tormentas, mas existem coisas muito boas.)
Mas é nas ideias que a música vive. Na inspiração, na originalidade. Neste país das bandas de covers, onde ligamos a radio e ouvimos sempre as mesmas 350 canções, as ideias não abundam. É raro ouvir algo com conteúdo. Porem cada vez mais pessoas têm a ideia de fazer um projecto musical. "Há mais artistas e menos arte."
Há dias entrei em contacto com uma entrevista a uma banda de miúdos. Rapaziada tonta, que começa a dar os primeiros passos nestas coisas.
Eles queixavam-se que a malta dizia mal deles. Mas de uma forma gratuita. Ninguém tinha o cuidado de descontar as dificuldades que eles encontram como banda. Ninguém fazia uma critica construtiva!

"Critica construtiva?"

Mas que raio é que é uma "critica construtiva"? Quem foi o imbecil que se lembrou deste eufemismo. Isto de certeza que foi algum professor de secundária na província. Que parvoíce.
Dá para fazer uma critica construtiva a um serial killer? Aquele gajo austríaco, que trancou a filha 28 anos e a violou repetedimente... que critica construtiva é que lhe podemos fazer? Quando uma pessoa maltrata um animal, ou quando o abandona. Que podemos construir a partir dai?

Deixei de lado estas questões e foquei-me no apelo dos entrevistados.
Tendo em conta que:
- Os rapazes tanto podiam gostar de música com ser forcados.
- Se tiverem sorte, apenas um extra terrestre lhes trará talento a 30 de Fevereiro do ano 3000.
- Quem têm um problema grave nos ouvidos, na cabeça e na vida.
- Que já os vi ao vivo.
- Que já os ouvi ao morto.
- Que já vi este filme centenas de vezes.
A única critica construtiva que eu tenho para lhes fazer é:
- Desistam da banda e apostem nos estudos.

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